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segunda-feira, 10 de maio de 2010
Cúspide
os céus se abrem perante mim
meu coito sincero comoveu o mundo
as tetas da mãe sensata vertem rios de lisonja
ai meu deus
ai meu deus
está cá uma devassa que nao me rende um tostão
vai-te embora dor alheia que não quero seu pertence
funga, lambe, vaza
chora náusea
arrebenta o viril laico de teocrácio
ferrolhos de abril trancafiam meu maio na escuridão
um monstro imberbe vem se alimentar em meu seio
em seu peito um pedestal de bronze com os dizeres
chamo-me Morte.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
pessimismo volátil
A expectativa ofegante
Respira vaidosamente
Aspira poluindo o ar de gente que geme
O organismo levitando, singela e sorrateiramente
Entre os muros das casas e pessoas
Janelas e pálpebras alarmadas
O medo do pior engolfando-se nas ladeiras e mesas
Paciência, um pouco que se sofre hoje de nada vale amanhã
Os pés seguirão os mesmos sulcos dos esqueletos
Se os calos já não falam
Mórbidos
As pedras não profetizam
Maldição
A dor perdeu o sentido, a dor se tornou um fim
Perdição
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Sugestão
O calor que se estende em minha pele
Me faz querer lamber o céu
O azul do céu
Se hoje não possuo o requinte do silencio
Que se partam aos raios para longe seus tímpanos
Sua pele, seu absinto
Minha lua desvairada despencou do céu
Minha lua coitada sangrou o rio
Minha alma armada desferiu um golpe de formosura
Contra o laço das galhofeiras
Eu portava uma arma, uma vela, uma caravela
Uma abóbada, um ocre
Eu portava uma aquarela, um desfalque, um grito
Uma antena
Eu absorvia um raio, uma loucura, um muro, um calço
Eu morria e ia e via e fazia
Eu vivia, vencia, luzia,
tardia
taquicardia.
terça-feira, 30 de março de 2010
co (r) po vaz io

Certa tarde o calor e o enfado me perguntaram: pra que nascer?
Eu: por que isso logo no dia de sebo de sono no olho e louças sujas na pia?
O suor requentando o lençol, a pele morna
Impaciência.
Eu escrevo porque a vida é vazia
Cheia dessas pequenas atribuições nervosas e objetos descartáveis
Sorriso de vadia, canalha na esquina fumando cigarrinho
Nascer é como acordar? Não, tédio
Nascer é como morrer
Acordar é como dormir
Se escrevo é pra ter sorte
Para lembrar
Bebo pra esquecer, fumo pra arrebentar as bolhas dos átomos e me espalhar pelo ar do sangue, flutuar
Lembro das mágoas que escrevi bebendo
Esquecendo e recordando
A vista embaçada com a vida embolada
Embolia
A palavra é a vida que escrevo em meu silencio aterrador
Numa tarde quente, numa vagina fria.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Ligação
É como se meu ultimo átomo de juízo
Despencasse por uma ribanceira tresloucadamente
Deslocando as cascas velhas das células, fazendo um escarcéu de pequenas e infinitas explosões inexplicáveis
Apenas porque é; independentemente
Não é a formação de um novo mundo,nem o apocalipse do velho mas a convulsão do mesmo
Perante o limiar de sua loucura, na temível definição de terremoto
É minha loucura se lembrando que sou eu
E amanhece sempre e incondicionalmente para a mesma voz do outro lado da pessoa
É tudo tão pra sempre estar assim, excede as fronteiras de qualquer coisa justa e digna contudo corriqueira
E dura só um segundo o meu colóquio de estrela...
Despencasse por uma ribanceira tresloucadamente
Deslocando as cascas velhas das células, fazendo um escarcéu de pequenas e infinitas explosões inexplicáveis
Apenas porque é; independentemente
Não é a formação de um novo mundo,nem o apocalipse do velho mas a convulsão do mesmo
Perante o limiar de sua loucura, na temível definição de terremoto
É minha loucura se lembrando que sou eu
E amanhece sempre e incondicionalmente para a mesma voz do outro lado da pessoa
É tudo tão pra sempre estar assim, excede as fronteiras de qualquer coisa justa e digna contudo corriqueira
E dura só um segundo o meu colóquio de estrela...
domingo, 14 de março de 2010
mero
Quando um vulcão invade a terra
Não o faz por malignidade
Pois o que há na terra
É o que se revolve junto ao magma
E não sua superfície
O grito da terra vertido em lava
Leva o relógio e o tempo para onde eles pertencem
Zera o infinito
É findo o homem
A mulher e o sal
Quando a serpente se arrasta
na terra , paz na terra
Sucumbe ante a natureza e seu vigor
Quebram-se as leis e os contratos
Na réstia nada é só o que resta
De tudo que fomos um dia
terça-feira, 2 de março de 2010
Passarinho
Existe uma mistura de aperto no peito e paz de espírito que
A gente só sente quando ouve uma musica
Mas acredito que existam várias formas de se ouvir, assim como de ver
Às vezes a música vem em formas surpreendentemente visíveis, quase palpáveis
Ainda que distantes
Como o doce que se enxerga pela vitrine, fazendo a mão se frustrar
É doce saborear a sensação de querer e aventurar
Mas há uma pausa imposta pela impossibilidade
Ainda assim a musica prossegue
Basta parar um pouco e lá de relance pode-se ouvi-la sinuosa
Reticente
Tão reticente e tão clara!
Um chegar em casa completo, um aterramento
Uma antiguidade quase não percebida
Uma insegurança de exagerar
A música ignora os ouvidos
Mas quem tem ouvido parar ouvir, ouve
Leve, imponente, clara... Inusitada
Contudo familiar
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