Translate

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

ser ou sou?






Se eu fosse você não faria isso

O que?

Seu eu fosse, você não faria isso

Quem ta falando?

Eu.

Quem é você? 

Você eu não, eu sou eu.

Eu o que? Quem é?

Eu só sou você é só

Mas não se pré-ocupe

Tudo já está sendo

Em ser 

Então eu sou você?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cinza azulado escuro


Você me faz querer ser maiúscula
Eu engulo tudo, cão morto de sede
Eu me engasgo de tanto beber com os olhos
Não a escrita, a vida que sua palavra traz
Você se transforma nela e ela em você na minha janela
Uma garganta sem fim
Eu queria ser tudo ao redor do seu globo da sua janela, o que tem nela?
Um cílio, um silício
Aquele piscar valeu à pena
Um silêncio, um suplício
Te assisto em sonho, te guardo aqui, sem querer pra mim
Sou grande afinal
Olho, Sonho, Janela, Junto
É tudo um só
Você.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Aerada







Sofro de afetação térmica
Minhas bolhas se agitam no sangue venoso
Todo ele venoso esverdeia, sendo grama pra minhas bolhas
A bolha que sobe e desce desgruda o cálice da boca
A bolha descendo a perna e subindo o braço
E vem a bolha primordial querendo engolir todas elas
Bolha mãe, bolha pai e filhinhas bolhainhas
Na dança das bolhas, borbolhas
Uma bolha jamais ocupa o espaço da outra, elas se unem
Pois Bolhas são amigas

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pequeno enVeredito


Eu também quero entortar as coisas até que se pareçam latas velhas

Encarquilhando o gosto dos jovens da televisão

Amo as arvores enganchadas no vento, cada galho um grito.E minha pupila grita junto.Depois pisco e paro.

Alguns nomes parecem coisas que fedem, mas com sonoridade singular e registro de pessoa física.

É possível que eu me engane, é impossível que não.
Vou me perdendo entre um rabisco mais sincero e outro absurdo no curso de minhas veias
Hoje estou lua cheia, hoje ainda mudo os pólos do mundo
É para hoje toda minha ânsia de aceitação.

É preciso afagar o amor odiando meus interesses. 
toda sentença termina em dúvida.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

a dor do ar






 Final da noite, as estrelas não caíram
Ainda estão coladas no céu, em seu parquinho de diversões
E pra elas que ainda brilham de mansinho, um suor, um suspiro
Não amo a vida, apenas movo e danço um espetáculo saturnino
E a solidão é tão cheia de nomes e verbos, como pode ser tão só se expõe tanto minhas carnes?
Quem dará veto a terrível crime? Quem dará chão aos meus pés? bobagens, sigo enxugando a lágrima alheia
É tão cheia de mim minha tristeza que a abraço e ando
Nasci do temível ovo primordial que deu origem às galáxias, mas ainda não sei meu nome
Meu Lar é esse aperto no peito, minha infeliz aceitação
Inexato coração, sinto a dor de doar
Atordoada, doei uma asa à mãe e roguei ao pai feliz colheita
e da asa que me restou fiz o molde de um sorriso
As coisas que não tem nome me ferem menos
Fim de noite, fiz meu juramento
Em mim dorme a pulsação de mil universos
Tão plácidos, tão em mim, órfãos de seu criador
Mas dormem, só meus olhos é que permanecem acordados
Impotentes, meros satélites margeando a imensidão do quase
O inalcançável absurdo de achar-se plena sem saber de que

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Resposta






Eis nos sinais, nas virgulas, nos sinônimos
eis nos decassilabos, nos antônimos
nossa ânsia, nosso vômito
eis nas casas dos animais a trepar, trepadeiras ambulantes
Sem os compostos comuns à antiga arte do lexico
de que seria feita nossa santa ignorância?
Sem o cheiro da carne que clama por enlevo ou pela descida dos anjos
A carne chama, chama a chama, nas ruas, nos becos, nas lajes dos edificios
Pois a pele é o papel da alma que o sangue preenche de historia
Por veias tortas, por mãos sedentas que rasgam véus
E nós nunca sabemos seus porquês
A estultícia reside em ignorar os deuses que somos, que fui, que és
E que  jamais pedirão outra oferta
Pé descalço e calejado
nossos passos marcando as areias do universo
Cedo ou tarde saberemos, na universidade do tempo, saberemos como quem chora
Como um grande olho que olha sem ter aprendido a olhar
Como um olho que molha a terra aflita, tranqüilo, imponente, imparcial e reflexivo
Como uma grande pupila de pérola no suor da lavadeira
Como uma sereia gigante tangendo o universo com a cauda no oceano profundo, místico, invulgar...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Pressentear


Me dê qualquer coisa de Clarice que não sou qualquer uma
Me beije e  me leia seus contos, suas crônicas
Seus porquês de amor, mas não cite meus nomes por aí
Tempera minhas palavras, me costura em seu bolso
Toca as silabas infinitas com as pontas dos dedos na minha história
Imagina meu silêncio, seu silencio infindo
Perene gloria sinuosa, música em meus ouvidos
Placebo do meu recato
Avulso e vasto
A arte acesa de não saber quem se ama, o que se ama
Quando e onde e como
Serena o mar que ruge em minhas pedras, não
Dá outro beijo
Me lança a gloria de Leônidas
Perfura meu aço, quero costurar seus ais em meu travesseiro
Nessa confusa doce insone lembrança
de andar descalça na areia a gritar seu nome  me transformando também em areia
Do tempo, areia lunar
De ondas na enseada
Que essa pobre fadiga acusa
Plágio de marte em meu quintal